Nikos Elefthérios

Pontos de Vista, só valem a pena quando cada um tem o seu

In Uncategorized on 04/07/2009 at 10:46 pm

Estava aqui no meu apartamento pensando sobre o quê escreveria hoje. Estou fazendo umas pesquisas, para que meus posts sempre tenham fontes e boas citações, uma boa gama de informações protegendo minhas costas.

Decidi fazer um texto mais pessoal, sobre algo que hoje em dia não vejo muito na boca das pessoas. Acabei de assistir 3:10 to Yuma. Um ótimo filme, uma história muito bem contada, muito bem filmada e com ótimas atuações para ajudar a unir tudo de maneira inesperada.

O filme deixa você pensando sobre várias coisas. Lealdade, vergonha, arrependimento, depravação, violência e outras e outras. O interessante, é que o filme foi feito de uma maneira em que nada parece o que é. O mocinho é realmente um grande herói? O vilão é realmente aquele cara extremamente terrível? A lei e a ordem cumprem realmente este papel? O homem rico e sem escrúpulos é tão podre assim por dentro?

Sei que muitos filmes, livros e afins já trataram destes assuntos, contudo, 3:10 to Yuma traz estes temas de forma diferenciada, fugindo do que normalmente se vê por aí. Porém não é sobre isso que estou aqui para falar, talvez uma crítica surja em algum momento futuro. O filme despertou em mim uma necessidade de falar sobre pontos de vista.

O que seria o ponto de vista? Para mim parece bastante simples responder a este questionamento. Ponto de vista seria apenas sua opinião sobre um assunto, o que você acha sobre alguma temática, seja ela da mais inocente pizza em um restaurante até as grandes perguntas que permeiam a humanidade.

Após assistir ao filme já mencionado anteriormente, me vi pensando sobre uma das perspectivas sobre o contexto do ponto de vista, o de sua defesa. Nunca se viu, como na atualidade, um maior número de pontos de vista, de suas defesas, seus ataques. Com a ajuda da internet isso vem crescendo de modo incomensurável, fica cada vez mais fácil decidir por um ponto de vista, e aí difundi-lo mundo afora, com a ajuda de blogs, Twitter ou a próxima nova ferramenta de compartilhamento de comunicação online.

Entretanto, é exatamente aí que – a meu ver – se encontra o cerne do problema. A dispersão de pontos de vistas que são apenas reforços para outros já existentes. Entre em qualquer fórum de discussão sobre qualquer assunto e verá isso em primeira mão.

Na grande maioria das vezes, o moderador ou o “dono” do fórum faz uma declaração sobre algum tópico. Então algum outro moderador ou usuário antigo põe na mesa outra forma de se olhar a situação. Este tópico do fórum chega às 30 páginas. Normalmente se pensaria que isto renderá um grande número de argumentos, não estou certo?

A problemática aqui, é que a maior parte das declarações serão apenas a constante defesa das duas primeiras que deram início ao tópico. É incrível quando quase nunca surge uma terceira maneira de se olhar a questão. Não sei como isso fica para vocês, mas eu acho um problema.

Se as coisas continuarem como estão, a estirpe dos formadores de opinião se transformará em uma pequena e intocável elite. Sei que isso já ocorre nos grandes meios de comunicação, com a grande mídia. O que me assusta é que isso venha a tomar conta da internet, o futuro da comunicação, a liberdade indivisível.

Autores de blogs são endeusados, portais estão sempre certos o Twitter nunca está equivocado. As coisas não devem seguir este caminho. Como todos vocês, eu tenho meus blogs, autores, diretores formadores de opinião preferidos. Mas eu apenas não engulo o que eles dizem e repito. De uma forma geral, eu gosto de ver dois ou três opiniões, para pegar os pontos fortes em cada uma e fazer minha própria defesa.

Sempre achei que essa deve ser a forma de se argumentar, e sigo minhas próprias instruções de forma ferrenha. Espero mesmo que esta minha opinião de como as coisas estão comece a mudar, ou a internet perderá toda a sua razão e não deve mais existir.

Mas esse é apenas o meu ponto de vista, qual é o seu?

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  1. Pois é Nikos, é a polarização. Qualquer discussão é logo transformada em um fla-flu. Nuances? Impensável. Outro ponto interessante é o das certezas burras. São tantos os que parecem não ter dúvida que dá medo. Mas tem o lado contrário, a relativização. É o velho “mas claro, aceito sua opinião, acho que todos stão certos…” Isto dá muito mais medo. Beijo.

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